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Google e OSS

08.29.07 | 5779 Comments
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A recente discussão entre o Chris DiBona (Google) e Bill Hilf (Microsoft) na mailing list da OSI sobre a aceitação das licensas Shared Source da MS como compativeis com a OSI e portanto passíveis de serem chamadas licensas de código aberto tem dispertado comentários na blogsfera OSS.

A argumentação do Google é pobre na minha opinião. Eles praticamente dizem que a Microsoft é o demônio e que aceitar suas licensas como Open Source seria como um pacto com o capeta. Embora a argumentação seja fraca, o ponto de vista por trás dela merece atenção. Porque a Microsoft decide parar com a campanha “Get the facts”, faz aliança com várias distribuições e agora submete suas licensas à OSI? Ninguém pode ser ingênuo de imaginar que eles aderiram à filosofia de “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. A MS não tem nenhum software sério licenciado sobre Shared Source (em geral são exemplos de códigos de plataformas proprietárias da empresa), mas o rótulo de ser uma empresa homolagada pela OSI cai muito bem na nova estratégia de se fazer passar por amigável ao movimento OSS. Não que eu veja a MS como “o inimigo”, mas se quer ser amigável ao movimento, um bom começo pode ser parar de querer impor seus próprios padrões (OOXML, Internet Explorer, Shared Source, …) e adotar padrões abertos existentes. No caso específico desta licensa, ela é muito semelhante à BSD2.0, então a MS poderia licenciar seus exemplos de código sobre uma licensa permissiva já existente (BSD2, MIT, Apache2,…) sem problemas ao invés de tentar empurrar suas licensas para dentro da OSI.

Bom, a argumentação fraca do DiBona abriu espaço para o Hilf questionar a atitude do Google em relação ao Open Source. Muitos acusam o Google de se escondar atrás do seu modelo de serviço de SaaS (em português, Software como um Serviço) para não devolver suas contribuições para a comunidade. Assim tiram proveito e modificam projetos como Apache, MySQL e o próprio kernel do Linux para usar como base para seus programas. Como eles não distribuem estas versões modificadas não caem em nenhuma clausula das licensas que obrigam retornar o código para a comunidade. Ainda assim, vejo o Google como uma empresa bastante amigável ao movimento Open Source.

Por exemplo, eu não vejo onde o Google perderia alguma coisa se tivesse lançado o GTalk como um programa de código aberto. Mas mesmo não fazendo isso ele chamou o criador do Gaim para ser o gerente do projeto, o que acarretou na adoção do XMMP/Jabber como protocolo para o comunicador. O Google foi para a lista de discussão do Jabber e solicitou modificações, enviou patches, criou extensões para comunicação por voz (jingle) e embora o cliente do google só rode em windows o fato de ter adotado padrões abertos fez o GTalk imediatamente compatível com muitos clientes em todas as plataformas. Ok, nem todos clientes implementaram comunicação por voz, mas qualquer cliente jabber existente pode sem modificações trocar mensagens de texto.

Outra atitude muito amigável em relação ao mundo Open Source é o Google Summer of Code (SoC). Nesse programa, estudantes de informática são pagos nas férias para trabalhar em projetos de código aberto. Isso não apenas coloca mão-de-obra qualificada trabalhando full time em projetos Open Source como também fortalece os laços destes projetos com a academia.

Resumindo, a Microsoft está se aproximando para enrabar o movimento Open Source. Enquato isso o Google faz uso de uma brecha (que muitos considerariam uma falha) da licensa para seu benefício. Uma coisa que ninguém parece perceber é que toda empresa que usa uma solução de código aberto faz isso porque é proveitoso de alguma maneira (só o Stallman e a FSF estão preocupados com os aspectos morais) o que diferencia as duas empresas em questão é que enquanto a Microsoft precisa enfraquecer os projetos Open Source para tirar proveito deles o Google precisa fortalecê-los.

UPDATE: O Google acaba de lançar um software licensiado sob GPLv2 chamado Ganeti.

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